˙˙˙˙˙˙˙˙˙BLOGUE DE ANT™NIO MARIANO

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quarta-feira, 13 de julho de 2005





Nem pose nem inspira‡ao
PublishNews - 13/7/2005
Guarda-chuvas esquecidos (Lamparina, 112 pp., R$ 19) pode ser lido com sabor de resgate ou inova‡ao. Assim se apresenta o poeta paraibano Ant“nio Mariano, que re£ne trˆs momentos de sua produ‡ao po‚tica no livro. A obra de Mariano ‚ dividida em cinco partes: Pret‚ritos, Dispersos, Desorienta‡oes, Primeiro resgate (O gozo ins˘lito), Segundo resgate (Te odeio com do‡ura). Mas pode ser lida em trˆs tempos: um contemporƒneo e outros dois periodos anteriores, ambos provindos dos anos 1990. Em cada fase, Ant“nio Mariano veste-se de uma poesia especifica, deixando sobressaltar sua veia existencialista, com um grau de inconformismo e inconstƒncia. O livro apresenta ainda contribui‡oes dos poetas Fabricio Carpinejar e Claudio Daniel, al‚m de fortuna critica de autores como Jos‚ Paulo Paes e Paulo Henriques Britto. Dotado de tematica regional e universalizante, segundo Carpinejar, "faz releituras de influˆncias como Joao Cabral e percebe o mais dificil. Que o poeta nao significa pose e inspira‡ao, por‚m a ren£ncia do texto".


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sexta-feira, 1 de julho de 2005




Livro: O desafio est‚tico de um poeta econ“mico

Para Ant“nio Mariano, poesia ‚ concisao, ‚ um ato de concentra‡ao



Desde sua estr‚ia, com O gozo ins˘lito (1991), seguida de Te odeio com do‡ura (1995), a po‚tica de Ant“nio Mariano segue num crescendo, preservando sua condi‡ao multifac‚tica. Do lirismo sem pieguice … critica nao panfletaria do cotidiano, o poeta paraibano vem construindo uma obra marcada fundamentalmente pelo rigor com que utiliza a linguagem.


O autor nao se deixou seduzir pelos recursos ou tendˆncias de uma poesia da facilidade, muito em voga, que opta pelo jogo de palavras e pela superficialidade, em detrimento da condi‡ao ‚tica e essencial do poema: comunicar uma visao est‚tica e alcan‡ar/ atingir o leitor como se fosse um farol.



Seu terceiro livro, Guarda-chuvas esquecidos, com chancela da Editora Lamparina, do Rio, aprofunda essa rela‡ao com a palavra, utilizada para erguer um projeto po‚tico que, transpondo modismos, sedimenta um olhar critico do universo para poder fazer a decanta‡ao de suas impurezas, acreditando no poema, ao mesmo tempo, como territ˘rio de indigna‡ao e espa‡o para o apaziguamento.



Nesse sentido, sob o guarda-chuva das palavras se esconde a ang£stia de seu tempo e atrav‚s desse albergue tematico o autor vasculha a mem˘ria ancestral das coisas e dos homens, para poder ''Compreender o mundo (...) e sempre de/flagrar surpresas''.



Os novos poemas, enfeixados em trˆs grupos (Pret‚ritos, Dispersos, Desorienta‡oes), se compoem com outros dois de safras anteriores (Primeiro resgate e Segundo resgate) numa esp‚cie de amalgama conceitual. Essa disposi‡ao constitui uma rela‡ao entre dois momentos distintos de sua carreira, diversos na forma, mas umbilicais no conte£do, demonstrando que sua arte nao perde os vinculos com a origem nem desconhece as demandas de uma literatura que busca inovar e renovar, sem renegar a tradi‡ao.



Ao mesmo tempo em que se lan‡a a v“os de reconhecimento de uma nova realidade semƒntica, conta com a chama ainda acesa, pois enquanto ''Um olho se fecha, o outro/ divisa o horizonte''.



 obra que ''transforma/se'' permanentemente, como um eterno devir, para poder transcender o mero ato po‚tico e ''forjar linguagens'' que convergem para todas as possibilidades de comunica‡ao, deixando a palavra fluir sem as camisas-de-for‡a que tanto impedem a objetividade ou empanam as metaforas.



A poesia de Ant“nio Mariano experimenta todas as vertentes do verso livre, inclusive a eficiˆncia comunicativa do hai-kai e o minimalismo das pequenas senten‡as (comuns ao concretismo, … metalinguagem e ao visual).  um trabalho que valoriza a economia de meios, nao se desperdi‡ando na banaliza‡ao do discurso. Embora contida e sem gorduras, nao perde a sua coluna dorsal, nao desidrata sua nervura.



No infimo espa‡o de seus versos (co)medidos, o autor convence o leitor de que a escritura ‚ ao mesmo tempo um ato de beleza e de concentra‡ao e que a mensagem po‚tica deve absorver aquela compreensao maiakovskiana: ''Eu/ … poesia/ s˘ permito uma forma:/ concisao,/ precisao das f˘rmulas/ matematicas''.



E desse excitante desafio a que se prop“s Mariano resultou a rica experiˆncia est‚tica de Guarda-chuvas esquecidos, poesia renovada e sem afeta‡oes que o coloca, sem d£vida, entre as melhores vozes de sua gera‡ao. (Ronaldo Cagiano)





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