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quarta-feira, 1 de setembro de 2004
Valrio Oliveira
"Antnio, os segredos/dos subterrneos/nao sao tao/sagrados/quanto os do/paraiso (estes sim,/sangrentos)./Mas dao/ pro gasto./Sendo assim,/aceite este naco/do meu inferno/ particular". Assim Valrio Oliveira, poeta misterioso at entao desconhecido, que traz endereo de Sao Paulo, me envia o seu novo livro em dedicat¢ria numa tira de papel
parte. A brochura continua intacta, como a sugerir ser repassada a um outro leitor. A obra: Sobras do subsolo (S. Paulo: Catatau Editora, 2004).
Nome e sobrenome sao um anagrama, como bem observou Adrienne Myrtes em entrevista publicada no site Capitu e depois incluida no livro recm editado. Nada sobre o autor alm das palavras de Adrianne garantindo que o poeta existe. Ele parece ser adepto da idia do quanto menos aparecer melhor. Uma busca na net, entretanto, prova o contrario. Varias referncias a seu nome se espalham, chamando a atenao de escritores como Joao Filho e Marcelino Freire que o citam em seus blogues, transcrevem versos com comentarios entusiasmados. Neg¢cio neg¢cio uma pea merecedora de nota:
"Enfiar uma folha num envelope
requer traquejo pacincia tato
A folha avessa ao envelope
fmea detesta parecer penetra
O envelope opaco
antipatia racial na certa
A folha inclina-se esbarra na quina
na parede interna da vagina
O envelope respira aspero
Enfiar uma folha num envelope
requer perspicacia talento prumo
requer palco platia de holofotes
Isso nao devia ser feito assim
num carro em movimento
o ombro no celular meio sem jeito
mesmo que essa folha fosse
o teu £ltimo poema mesmo que fosse
o contrato com o capeta".
Autor de uma obra anterior, Eu minimo (2002. Ver resenha de Claudio Portella), Valrio Oliveira, neste Sobras do subsolo, traz-nos um livro de poemas escritos numa prosa inquietante digna de ser melhor conhecida. O leitor estranhou a afirmaao? Eu tambm. Mas o que . Embora dispostos graficamente em versos, o que vemos sao ¢timos mine contos, prenhes de poesia. O que o rareia vez em quando em publicaoes que nos chegam
s tulhas.
enviado por Antonio-Mariano - Antonio-Mariano as 11:01. comentarios[6]
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