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quarta-feira, 19 de maio de 2004



Eco do oco*

Para Frederico Barbosa


Loucos
lado alado.

Pedras
paralelas.

Paralelepipedos
lunares.


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*Poema escrito em 2002 ap˘s a leitura do livro Louco no Oco sem Beiras (Sao Paulo: Ateliˆ, 2001), de Frederico Barbosa.

enviado por Antonio-Mariano - Antonio-Mariano as 18:32. comentarios[2]

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domingo, 9 de maio de 2004






AMADOR, BARROCIDADAO

O espa‡o variavel como a pedra, a p‚rola de superficie irregular, expressao primitiva do conceito que o projeto literario tem como referˆncia. Barrocidade (Sao Paulo: Landy Editora , 2003, 123 p.), geografia intima do Amador Ribeiro Neto, titulo da coletƒnea de poemas com que estr‚ia com meio s‚culo de vida, recha‡a todos os meio-termos imaginaveis, consagra os extremos. Antiteses, irregularidades, contrastes, contradi‡oes, exuberƒncias, uniao dos irreconciliaveis, tudo propositadamente tensional. Retorna ha mais de quatrocentos anos para confrontar nossos primeiros ecos expressivos e contextualiza-los … luz e ao c‚u cinzento da noite de estrelas presumidas apenas, escondidas pela polui‡ao, em vao compensadas por horizontes de n‚on. O barroco, reverˆncia claro-escura, ‚ uma outra e mesma lousa onde o poeta nega e afirma seu universo cultural dispar. E todos os conceitos sao debalde, necessitam urgentemente de redefini‡ao da Paraiba a Sao Paulo.


Em Barrocidade, o quarto volume da Cole‡ao Alguidar, dirigida por Frederico Barbosa, os objetos parecem brigar, outros querelar para ser substantivos pr˘prios num mosaico onde tudo ‚ heran‡a de alhures, de reconhecimento e contraposi‡ao. Dai nao nos espantam tantos nomes pr˘prios juntos, Joao Cabral de Melo Neto, T. S. Eliot, Graciliano Ramos, Luiz Gonzaga, Paulo Leminski, Alceu Valen‡a, Mallarm‚, Roland Barthes, Haroldo de Campos, Arnaldo Antunes, Rita Lee, Tomie Ohtake, Sting, Guimaraes Rosa, Baudelaire, Frederico Barbosa, Augusto de Campos, Caetano Veloso, E. E. Cummings, Arrigo Barnab‚, Lezama Lima, Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos, Chico C‚sar, Lupa-Otto, uma certa Catia, Clementina de Jesus, JŁlio Ribeiro, Glauco Mattoso, „ngela Ro R“, Itamar Assun‡ao, Edgar Allan Poe, Safo, Jackson do Pandeiro, Gertrude Stein, Pier Paolo Pasoline, Adriana Calcanhoto, Alfred Hitchcock, Jorge Mautner, Julio Bressane, David Byrne, Euclides da Cunha, Gilberto Gil, Murilo Mendes, Tom Z‚, Alvaro de Campos, D‚cio Pignatari (Greg˘rio de Mattos, que todos esperavam, nao ‚ omissao, ‚ emissao em plena lista) todos titulos de poemas, citados sem exclusoes para que o leitor conclua por si em que consiste a po‚tica de Amador Ribeiro Neto.


Uma mostra? Um poema transcrito seria por demais restritivo para a extensao que o poeta Amador Ribeiro Neto quis refletir em seu primeiro livro. Mas nao resisto em transportar para aqui o meu xodozinho, ja tao citado em sendas, resenhas, senha para um instante de ˆxtase, a bela pe‡a Falta agua e falta (p. 24) que, c‚lere como o tempo que Barrocidade corta, quer matar a sede da indizivel poesia de que todos carecemos: "falta agua e falta/agua tens e nao tens/os surfistas de sao miguel paulista quebram ondas/nos tetos dos trens".

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Texto publicado originalmente em minha coluna no jornal A Uniao quando do lan‡amento do livro em novembro de 2003.

Clique aqui para ler alguns poemas de Barrocidade

Outros links:
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Portugal gay

enviado por Antonio-Mariano - Antonio-Mariano as 22:26. comentarios[3]

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