˙˙˙˙˙˙˙˙˙BLOGUE DE ANT™NIO MARIANO

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2004



LI€AO DE FILOSOFIA


Se o ontem ‚ n‚voa
e o hoje algodao-doce,
por que insisto em saber
que o amanha existe?

In: Te odeio com do‡ura (S. Paulo: Scortecci, 1995)

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2004



NO HOSPITAL


Morrer ‚ como
esquecer o horario
de verao … mesa.
Perder os sentidos
enquanto la fora
ha um rosto de crian‡a exposto
ao sol.
Um suicida pondo virgulas
no bilhete.


Dailor Varela (RN), em: Do meu caderno amarelo. Natal: Ed. Universitaria UFRN, 1994.


Encontrei neste livro um peda‡o de papel e uma anota‡ao com a minha letra: "poema magistral". Faz tempo que escrevi, uns seis anos ou mais, desde que Jomard Muniz de Britto (PE) me emprestou a coletƒnea e eu nunca fiz a devolu‡ao. Mas li, contrariando a expectativa daquela can‡ao de Chico Buarque de Holanda. Por ainda concordar com a nota, transcrevi o poema.

enviado por Antonio-Mariano - Antonio-Mariano as 12:33. comentarios[4]

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sabado, 25 de dezembro de 2004



Mudaria o Natal ou mudei eu?

O £ltimo verso de Soneto de Natal (Ocidentais, in Poesias completas, 1901), de Machado de Assis, continua provocando in£meros intertextos e reflexoes sobre o mist‚rio das festas de todo fim de ano. (Da infƒncia logo ali, ainda recende no nariz e na lingua o cheiro e o gosto de guarana Sanhaua, servido sempre nas festas ou na doen‡a, boas e tristes lembran‡as). Para o mago da Rua Cosme Velho, 18, eu diria que o Natal continua mudando (naturalmente, mais comercial!), e eu tamb‚m, cada vez mais c‚tico. "O tempo ‚ um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto", diria o mesmo Machado para bom contexto dessas dial‚ticas. Mas me agrada a perspectiva do Espirito Natalino que contagia essa gente que se odeia os 365 dias do ano, menos um, que tiram para se abra‡ar e, limitado aos que podem num mundo de tantas injusti‡as sociais, trocar cartoes e presentes, compartilhar abastadas ceias.  alguma coisa relevante, nao? A parte qualquer ironia, a coluna deseja aos leitores bons momentos com os seus, f‚ na vida e em dias melhores. O que depende de n˘s tamb‚m garanti-los. Amenos e exercitemos, pois, o simb˘lico no que ele tem de mais caro e de bem coletivo. Mudemos para melhor. Bom Natal.

Frederico na Casa das Rosas

A Casa das Rosas era um antigo lugar de exposi‡oes localizado na Avenida Paulista, 37. Administrada pela Secretaria da Cultura do Estado de Sao Paulo, no £ltimo dia 9 foi reaberto com nova denomina‡ao: "Casa das Rosas - Espa‡o Haroldo de Campos de Poesia e Literatura". Passa a ter um acervo adicional de 35 mil livros doados pela familia do poeta e tradutor falecido o ano passado, agora … disposi‡ao de pesquisadores. O escrit˘rio de Haroldo, tamb‚m doado, sera reproduzido em uma das salas da Casa. O poeta Frederico Barbosa ‚ o diretor daquele patrim“nio, que tera uma programa‡ao essencialmente voltada para as letras, com varias oficinas e cursos abertos em janeiro de 2005 e ministrados pelo pr˘prio Frederico, Claudio Daniel, Clenir Bellezi de Oliveira, entre outros. Certamente fara diferen‡a o belo trabalho que se anuncia, revelando novos valores e repensando a literatura em seus aspectos essenciais. Combustivel e inventividade nao havera de faltar nesse sentido ao empreendedor poeta pernambucano radicado na capital paulista.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2004



AS MAOS E UM LA€O

O n˘ na garganta
nao sabe a extensao
da linha.


Nao dou corda
em canto
de enforcado.

O ar esticado
ao extremo
como um cadaver
agendado.

Ant“nio Mariano
Astier Basilio
Andr‚ Ricardo Aguiar

12VIII2004

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2004



O DESAFIO DO VERSO LIVRE

O poeta Ivan Junqueira ‚ tido como seguidor da corrente mais conservadora da atual poesia brasileira, segundo a mat‚ria de Carlos Graieb, publicada na revista Veja e disponibilizada no Jornal de Poesia . Li ,entretanto, no Suplemento Literario de Minas Gerais de Outubro £ltimo, um comentario dele sobre o verso livre que considerei muito pertinente e transcrevo aqui por estar de acordo a opiniao que sempre alimentei a respeito do assunto, embora nao seja muito fa das posturas est‚ticas do atual presidente da ABL:

"O verso livre, que de livre nada tem, fez um grande bem e um grande mal … poesia moderna brasileira. Fez um grande bem na medida em que nos libertou da tirania m‚trica do Parnasianismo e da impostura de uma lingua que, embora seja a nossa, era aqui macaqueada a partir da dura sintaxe lusiada, como certa vez observou Manuel Bandeira. E fez um grande mal porque os poetas desde entao dele se valeram e esqueceram de que o verso livre tamb‚m tem as suas regras. Com alarmante freqˆncia, o verso livre entre n˘s passou a ser entendido como qualquer sucessao de palavras que, na esmagadora maioria dos casos, nao significavam coisa alguma e que nada tinham a ver com poesia. Houve ‚poca em que esse verso se tornou tao livre que o poeta Paulo Mendes Campos passou a chama-lo de lib‚rrimo. E algu‚m ja disse que ele se transformou na mao dos maus poetas, num recurso fraudulento para aqueles que eram incapazes de escrever um £nico verso. Como todo verso, o verso livre tem as suas leis, seus principios de ritmo, de dura‡ao, de plasticidade e de sonoridade. E talvez seja o de mais dificil concep‡ao, pois, ao escreve-lo, o poeta ja nao conta com o apoio da m‚trica e da rima tradicionais.  como se estivesse ao desamparo, sem quaisquer referˆncias, e na obriga‡ao de ter que reinventar a linguagem po‚tica a todo instante. O verso livre talvez seja o maior de todos os desafios da poesia, nao propriamente modernista, mas moderna".

(Trecho da entrevista de Ivan Junqueira a Joao Pombo Barile. SLMG, outubro 2004/ BH ano 38/ no 1273)

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